Por: Douglas Terenciano
Não se deixem enganar por uma data tão mesquinha. É impossível determinar um dia para homenageá-las. A pessoa que nos trouxe a vida. A única com poder de transmitir a mais doce paz apenas com um abraço.
Sua perseverança na busca de objetivos, direitos e igualdade é inquestionável e, mais do que isso, é digna. São capazes de salvar uma relação, unir uma família e enfrentar múltiplas jornadas, sem perder a sutileza, sem perde a feminilidade.
A sensualidade é um caso a parte. É impressionante como vocês conseguem tanta beleza em pequenos gestos. Olha... Não há um show da natureza que seja mais hipnotizante que um olhar feminino.
Aliás, qual o segredo desse charme quando olham para baixo com leve sorriso ou quando colocam os cabelos delicadamente para trás da orelha? Ah!, não conte! Deixe-nos simplesmente admirá-las por isso.
Nem todas as palavras do mundo seriam o suficiente para descrever o quanto nós, homens, precisamos de vocês.
Parabéns sim, mas não por hoje. Parabéns por todas as manhãs, todos os sorrisos, todas as vaidades, todos os abraços espontâneos, todos os carinhos... Parabéns, por todos os dias.
Por: Douglas Terenciano
Não importava se chovesse ou esfriasse, o grande desafio dos adolescentes nos anos 1990 era não ficar um sábado à noite em casa. Aliás, era motivo de vergonha e na escola o posto de ‘zoado’ da semana estava garantido ao caseiro, caso descobrissem. Hoje, chamariam de bullying...
A verdade é que sair aos 14, 15 anos era uma missão e tanto. Na época, os jovens não tinham essa mamata dos coloridos. Mesada? Mãe, me dá dinheiro? Que nada! ‘Male-male’ tinha uns trocados pra comprar uma pipa e olhe lá! Não era à toa, nós fazíamos de um tudo pra achar uma festinha de aniversário, também conhecida como balada gratuita de adolescente na época e, assim afastar o fantasma do sabadão.
Bom... Belo dia, a galera da rua descobriu um bar de Rock com características especiais, ou seja, não pedia RG pra entrar! Estava ‘feito’ nosso final de semana, já que o valor da entrada era simbólico, digamos. Sorridentes e contando as horas, percebemos um detalhe não muito agradável. O Bar ficava na Vila Alpina; nós morávamos na Mooca.
Resumindo... Como a grana era escassa, ou gastaríamos com ônibus e ficávamos na porta curtindo o som da rua ou íamos a pé da Mooca até a Vila Alpina e assim poderíamos entrar no bar. (Quem conhece a região deve ter soltado o clássico “nuss”, imaginando a distância do rolê).
A caminhada precisava de planejamento. Google Maps? Hunf, quem dera existisse! Foi o bom e velho Guia de Rua (aquele mesmo que seu avô usa até hoje), que nos guiou até o local. A primeira impressão foi boa, já que na fila da entrada pude ouvir ‘She's a Sensation’ e descobrir que a noite era especial Ramones, minha banda favorita.
Ao comentar com os amigos sobre a descoberta, fui cutucado. “Olha a fila, guri! Tá achando que está aonde?”, esbraveja uma menina. Como sou educado, segurei com todas as forças a vontade de mandá-la pra aquele lugar e simplesmente ignorei. Ah, tá bom vai... Admito! Segurei nada, assim que olhei a menina com fisionomia de invocada, aproximadamente minha idade e já com tatuagens, achei que era namorada de algum ‘cabeludo das correntes‘ e fiquei com medo de arrumar confusão. ;)
Bar pequeno e abafado, andar até o banheiro era quase como conseguir a glória de chegar na grade de um grande show. No caminho apertado, o destino, em mais uma de suas peraltices, fez com que esse ruivo derrubasse um copo de cerveja e... Pois é... Justo da menina tatuada! “Ê guri, não é possível! Você tá achando que está num ‘bate-cabeça’? Se liga heim!”, reclama.
Ignorei novamente, curti o resto da noite com a galera e voltei pra casa de ônibus. Para nossa sorte, na madrugada os cobradores sempre deixam passar por baixo da catraca.
Cansado como se tivesse corrido uma maratona, olho para o banco vago do coletivo imaginando minha cama e desabo. Para completar minha noite, ouço uma voz lá do fundão do ônibus: “Ei, você me deve uma cerveja!”, grita. Era a tatuada de novo e cheia de marra, no entanto, dessa vez, estava sozinha. “Ah!, não enche o saco e dorme aí”, respondo.
Mal sabia que essa resposta seria o início de uma conversa, onde tive a oportunidade de conhecê-la, perceber que tínhamos muito em comum e que toda aquela marra e tatuagens, na verdade, escondia uma menina fofa, sorridente, inteligente e bem-humorada. Uma guria adorável!
Ao descermos no mesmo ponto, outra grata surpresa da vida. Ela morava na rua de trás da minha casa, era recém chegada de Porto Alegre e iria estudar na mesma escola. Quem diria... Mas foi ali, naquela noite e naquele copo derramado, que conheci uma das pessoas mais importantes da minha vida. Uma grande amiga, que tive a oportunidade de dividir momentos incríveis da adolescência e, sei que posso contar eternamente com ela e vice-versa. Hoje, agradeço o destino por cruzar nossas vidas. Tenho muito carinho por ti, minha querida.
Ah!, guria, escrever esse texto me trouxe muitas lembranças ótimas. Entre elas, uma nem tão boa assim, digamos. Lembrei que até hoje não paguei sua cerveja, viu?
Por: Douglas Terenciano
Na infância, lembro-me que aos finais de semana após brincar o dia todo, esperava ansiosamente o anoitecer e a chegada dos carros com fieis da igreja da rua de cima. Pois era ali, tomando conta dos veículos, minha chance de ganhar o tão sagrado dinheirinho do fliperama e, assim, garantir a diversão com os amigos no dia seguinte.
Mas entre todos os possantes ali parados na praça, um era especial. Um Gol branco, ‘quadrado’, trazia o que eu não assumia ser meu maior motivo para guardar carros: uma menina linda, sorridente, sempre de vestidinho e franjinha.
Poderia chover ou esfriar, mas eu estava ali, a espera dela. Sempre acompanhada dos pais, o máximo que eu conseguia era uma troca de olhares e um sorriso tímido retribuído. Jamais consegui ao menos saber seu nome. Quem me dera sua amizade... Mas tudo bem, falo de uma outra época e acredite, isso era um feito e tanto.
Ah!, assim como todas as paixonites de meninos, a minha, também era segredo de Estado. Afinal, sofremos em silêncio, mas não admitimos o amor! Ah, como nós homens somos bobos na infância...
Os anos passam, paixões vêm e vão. Há muitas frases e pensamentos populares, mas talvez nenhum faça tanto sentido quanto aquele que todos nós estamos cansados de ouvir de nossas mães. “A vida, meu filho... É uma caixinha de surpresa!”.
E foi exatamente isso, a primeira coisa que me veio à mente, quando descobri sem querer, a grata surpresa que a vida tinha aprontado, quinze anos depois. Ontem, numa conversa nostálgica e despretensiosa, soube que aquela menina, hoje, é uma mulher, seu sorriso perdeu a timidez, seus vestidinhos deram lugar a novas roupas, mas a franjinha... Essa continua a mesma.
Sexta-feira, tempo limpo e o sujeitinho ocioso a procura do que fazer e aproveitar a noite. Vagando na internet em buscas sem sucesso de algo bom para curtir, ele decide desencanar de sair e passa a folhear a programação da tevê com esperança de encontrar pelo menos um bom filme e, assim, conformar-se com um programa caseiro. Eis que surge a ligação do amigo. Era um pedido de ajuda.
Com descrição de urgência, o amigo deixou sujeitinho preocupado com o pedido. Disse que aquela noite poderia mudar seu futuro, encaminhar sua vida nos eixos. Mesmo conhecendo-o, sabendo de sua leve tendência ao exagero, sujeitinho ouviu atentamente o amigo. O tal pedido com características estratosféricas de urgência, na verdade, era um auxílio para que o amigo conquistasse uma garota.
Bom, na teoria, o amigo dependia apenas de si para o feito. Afinal, ninguém seduz uma mulher usando as palavras de outros. Como até hoje não inventaram uma fórmula ideal de conquista e cada caso é um caso, a única coisa que poderia ser o impasse da união seria a falta de afinidade entre o par ou outra pessoa envolvida na situação. E foi exatamente aí que sujeitinho entrou na história.
A garota tinha uma moça, que era a melhor amiga para todas as horas, inclusive nos momentos que deveriam ser individuais. Neste caso, o amigo só sairia com a garota se alguém fizesse o mesmo com a moça, pois como eram muito próximas, a garota não queria sair e deixar a moça sozinha numa sexta à noite. Como o amigo não sabia absolutamente nada sobre a moça, conhecia apenas a garota, sujeitinho ficou com pé atrás. Mesmo assim, o entusiasmo e a insistência do amigo fizeram com que aceitasse fazer papel de cupido no encontro às escuras.
O bar escolhido era um ambiente agradável e tranquilo, ótimo para conversar e conhecer bem uma pessoa. A primeira vista, sujeitinho se impressionou. Pois a moça era bela. Logo no inicio do papo, a pergunta sobre a religiosidade de sujeitinho passou despercebido. Porém, antes da resposta, a moça disse que jamais poderia ter qualquer tipo de relação com uma pessoa de fora da religião, mesmo que fosse apenas amizade.
Sujeitinho, o famoso religioso não praticante, que mal sabe rezar, pensando em não atrapalhar o tão esperado encontro do amigo e observando a beleza da moça, respondeu que também era da mesma religião que ela. Ah se ele soubesse o peso dessas palavras... De qualquer forma, a resposta gerou um largo sorriso na moça.
O que sujeitinho não esperava é que aquela pergunta era um sinal do que viria pela frente. A moça era religiosa fanática e simplesmente transformou o encontro e a oportunidade de conhecer um ao outro em intermináveis duas horas e meia de papos sobre salmos, citações bíblicas e até alguns cânticos religiosos. Sujeitinho não é contra religião A, B ou C. Entretanto, o assunto em excesso para uma pessoa não acostumada, com outra filosofia de vida, pode tornar-se um tédio danado.
Ao fim, a missão do amigo foi cumprida. Ele conquistou a garota e sujeitinho também ficou com a moça. Todavia, ficou porque mentiu sobre sua religiosidade e foi embora pensando nisso, pois sabia que era errado.
No sábado pela manhã, a moça liga para sujeitinho cobrando o comparecimento dele no grupo de jovens da qual ela pertence. Segundo ela, sujeitinho havia prometido tocar violão e participar das atividades do grupo. Ele estranhou, contou que tinha um compromisso importante e ficou surpreso com a reação da moça. Brava, ela disse que o relacionamento deles não tinha começado bem e desligou o telefone. “Mas que relacionamento?”, se perguntou sujeitinho, que passou o resto do dia normalmente com seus afazeres.
Com a chegada da noite, sujeitinho recebe nova ligação da moça. Desta vez, irritadíssima, porque soube pela garota que ele havia mentido sobre sua religião, a moça cobra explicações e ameaça romper a união. “Mas que união é essa? Do que está falando? Você fala como se namorássemos há anos”, responde sujeitinho, que acabara de descobrir que a moça além de não combinar com ele também era possessiva.
O resultado disso foram diversas ligações seguidas com questionamentos desnecessários para quem apenas tinha se encontrado uma vez. Até que sujeitinho, sempre tranquilo, que nunca gostou de brigas, se arrependeu da noite passada e se comprometeu a ir pessoalmente à casa da moça para explicar o real motivo daquele encontro e colocar uma basta nisso. Ah... Como é fácil fazer as coisas na teoria. Infelizmente, na prática são outros quinhentos.
Passou a noite pensando em várias desculpas plausíveis para encerrar essa confusão da melhor maneira possível. Porém, sujeitinho nunca foi bom nisso, sempre teve dificuldade em criar histórias. E como viu que a mentira do encontro resultou num mal-entendido, ele preferiu ser sincero e contar a verdade, mesmo que isso pudesse agravar o caso.
No dia seguinte, domingo à tarde, ao tocar a campainha, sujeitinho é recebido pelo pai da moça. Com feição amigável, o senhor disse que sairia por um tempo e, assim, daria chance para os dois se entenderem. Ao abrir a porta, foi recebido com: “Amor, vamos esquecer tudo que aconteceu ontem e vamos começar de novo. Jesus não une duas pessoas por acaso”. Foi ali que sujeitinho, tardio é verdade, percebeu o quanto aquele encontro representou para a moça e, consequentemente, o quanto ele estava enrascado para apaziguar a situação.
Com calma, olhando nos olhos, sujeitinho explicou que o objetivo do encontro era aproximar o amigo da garota. Que ele não sabia nada sobre a moça e o caminho dos dois são diferentes. No fundo, eles sabem que a frase ‘os opostos se atraem’ nem sempre funciona, é primordial um ponto incomum entre o casal para o sucesso de um romance. “Se somos tão diferentes, então porque me beijou naquela noite?”, questionou a moça.
O Silêncio predominou por um tempo. Sujeitinho não estava com consciência pesada por talvez ferir o sentimento de outra pessoa. Ele não tem essa característica e não foi essa a intenção dele na ocasião. Mas sim, a boa impressão e a afinidade inicial que tiveram no encontro resultaram no beijo. Contudo, não são suficientes para um relacionamento. A clareza nas palavras e a sinceridade nítida no rosto de sujeitinho fizeram com que a moça entendesse de forma pacifica.
Ao sair, sujeitinho viu que acima de uma válida experiência de vida, aquele também era um momento de aprendizado e voltou no ônibus para casa pensando no ocorrido. Ele percebeu que as pessoas interpretam o mundo, os acontecimentos, os fatos e a vida de formas diferentes. Notou que o ‘amigo’, agora sim entre aspas, envolver duas pessoas em prol de um desejo pessoal não foi legal. Pensará duas vezes antes de aceitar um novo encontro às escuras. Hoje, ele sabe que uma tempestade num copo d’água para alguém, pode ser um verdadeiro tsunami para outra pessoa.
15 Dezembro 2010
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Por: Douglas Terenciano
Tempo chuvoso, ano 1997, sala de aula e mais um dia à espera da supervisora da escola com o comunicado de ausência do professor titular de história do ensino fundamental. Porém, desta vez a triste rotina trazia uma surpresa. Um substituto ocuparia o cargo durante aquela aula. O professor, um senhor, traços orientais, não causou boa impressão quando chegou. Disse que não era sua especialidade e jamais havia ministrado a disciplina, logo pensei que ele estaria ali apenas para nos distrair e evitar o barulho insuportável de alunos ociosos na sala 112.
No momento da entrada notei uma bolsa com objetos aparentemente pontudos que o professor carregava. Fiquei curiosíssimo e ao término de sua apresentação, perguntei o que tinha dentro da bolsa. Ele sorriu e disse que era o conhecimento mais próximo de história que ele poderia trazer para nós, os tipos móveis. Ao contrário dos demais alunos que preferiram jogar baralho no fundo da sala, eu me interessei e iniciamos uma conversa sobre os tais objetos. Foi então que descobri que aquele professor de feição simpática e fala mansa era um jornalista aposentado com muita disposição e conteúdo para passar.
Soou o sinal para o intervalo, continuamos a conversa. As diversas perguntas sobre o que eram, para que serviam e como funcionavam aqueles objetos de metais fundidos com letras grafadas fizeram o senhor, talvez em função desse interesse espontâneo, interromper a fala. Eis que surgiu a pergunta: “Garoto, você gostaria de ser um jornalista?” Eu, tímido, acostumado em sentar-me na mesma segunda cadeira da quarta fila e, principalmente sem ao menos ter uma base suficiente para responder de prontidão, disse sim.
A partir dessa data, jamais pensei em outro curso que não fosse jornalismo. Batalhei alguns anos para mais tarde realizar o sonho de ingressar na universidade, aos 23 anos. O contato com professores da área, os novos amigos com as mesmas características, vontade de aprender, de conhecer, a curiosidade, a mente inquieta, a sensação de dever em manter-se sempre atualizado sobre os mais variados assuntos e a identificação concretizaram a escolha. Sim, eu realmente escolhi a profissão correta.
O estágio de quase dois anos num Órgão Público aqui de São Paulo uniu a teoria com a prática. A oportunidade de atuar ao lado de profissionais foi além da expectativa e trouxe a chance de conhecer os bastidores da política, experiência esta de extrema importância para todos os jornalistas e que pretendo fazer especialização assim que possível.
No jornalismo, assim como tudo que envolve comunicação, aprendi que as mudanças são constantes. Infelizmente nem todas são positivas, a cada dia vejo mais notícias publicadas em grandes meios de comunicação, principalmente a internet, sem apuração devida. Os resultados dessa irresponsabilidade são o erro, a incoerência, a incerteza e a perda de credibilidade. Um amigo, também jornalista, sempre diz que para consertar o erro, o jornal tem obrigação de publicar uma errata. Não, meu caro. Eu discordo de ti. O dever dos veículos de comunicação é publicar a verdade com responsabilidade na apuração. Publicar uma errata não é obrigação, é a consequência de fazer o mau jornalismo. Aquele que a pressa e o gostinho de publicar primeiro deixam o conteúdo em segundo plano. O compromisso do jornalista é com a informação e não com o pioneirismo dela.
Tenho consciência da dificuldade do ofício, que o glamour está apenas nos olhos de quem vê pelo lado de fora. Aliás, sinto isso na pele quando vejo as raríssimas oportunidades abertas para recém-formados. A universidade me apresentou e mostrou a ética da profissão, mas acabou. A ética de cidadão sempre carreguei comigo e o desejo de um ideal em trabalhar com prazer, seriedade na apuração e dedicação para informar a sociedade está presente desde a sala 112.
**Texto redigido para participar do CAJ- Curso Abril de Jornalismo 2011. O tema era "Quem sou eu e por que escolhi o jornalismo como profissão". Cheguei na segunda fase do processo, porém não fui feliz na entrevista e não consegui a vaga. Desejo sorte e sucesso aos felizardos selecionados. Bola para frente que o jogo continua!
**Texto redigido para participar do CAJ- Curso Abril de Jornalismo 2011. O tema era "Quem sou eu e por que escolhi o jornalismo como profissão". Cheguei na segunda fase do processo, porém não fui feliz na entrevista e não consegui a vaga. Desejo sorte e sucesso aos felizardos selecionados. Bola para frente que o jogo continua!
Por: Douglas Terenciano
Final de outubro, já conformado com um 2010 bem mais ou menos, para não dizer ruim, planejando metas, possíveis projetos e contando ansiosamente os dias restantes do ano para colocá-los em prática em 2011. Porém, faltavam ainda dois meses e eu completamente desesperançoso em relação a novidades e emoções. Pois é, meus caros. Como pouca desgraça é realmente bobagem... Eis que começa o mês de novembro e logo no início, dia 9 para ser exato, uma forte chuva provocou um raio queimando meu computador, minha televisão, um aparelho de telefone e o modem da TV a cabo. Pensei que seria mais um mês para ser esquecido.
Ah! Antes que digam que estou usando o clássico drama argentino, talvez fruto de minha descendência portenha. Sim, eu concordo que o aparelho de telefone não é caro e o modem será substituído sem custo pela operadora de TV a cabo. Mas a televisão e principalmente o computador... Olha... Que dor de cabeça! Aliás, esse último doeu muito quando ouvi o orçamento. Foram três peças torradas: fonte, placa mãe e memória para o beleleu.
Sou um cara otimista por natureza e mesmo nos piores momentos, continuo com pensamentos positivos. Muito bem, antes dessa zica toda eu tinha participado de uma dessas famosas promoções do Twitter para ganhar um curso básico de locução da @radioficina. Admito que sempre duvidei dessas premiações, sempre achei que fosse como as pesquisas eleitorais, que há anos acontecem, todos levam a sério, mas nunca conheci ninguém que conheceu alguém que ouviu falar de uma pessoa distante que tivesse respondido o tal questionário.
Bom, sem saber porque, aquele sorteio ficou na minha cabeça de tal forma que no dia seguinte fui procurar uma Lan House só para ver o resultado. E surpresa! Fui premiado com o curso. Fiquei feliz, pois será uma oportunidade de aprender novas técnicas de locução e mais sobre rádio, uma das minhas áreas favoritas na comunicação. Dentre as opções disponíveis, escolhi locução jovem, por identificação mesmo. Descobri que minha voz é média-aguda e estou ansioso, mas aguardo programação da escola para saber quando começo. Ah! Sabe aqueles tradicionais vídeos para comprovar que o sorteado foi realmente premiado? Então... Eu fiz! Tá bom, eu sei que isso é chato, mas vou fazer o que? Era protocolo né...
Como restavam alguns minutos na Lan, passei a fazer o que todos fazem na internet. Ou seja, perder tempo pesquisando sobre qualquer coisa, geralmente temas nada relevantes como física quântica, desenvolvimento de bombas d’água ou teorias conspiratórias sobre as famosas estátuas na Ilha de Páscoa. Eis que surge outra boa noticia. Pelo Twitter, vi que tinha acabado de sair a lista dos convocados para segunda fase do @Curso_Abril de jornalismo. E... Bingo! Meu nome estava entre os selecionados na categoria texto.
Para os que não conhecem, esse curso é uma espécie de trainee do Grupo Abril. Uma ótima oportunidade para recém-formados em um dos maiores meios de comunicação do país. Mesmo que ainda não signifique nada, passar para segunda fase desse curso, diga-se de passagem, concorridíssimo, é um grande feito. Poxa, minha gente. Eram aproximadamente 1.400 candidatos na categoria e meu texto ficou entre os selecionados. Dias depois, fiz a entrevista e saberei o resultado agora no início de dezembro. Obs: Dedos cruzados, figas, pé de coelho, fitinhas do Senhor do Bonfim e amuletos são pequenas demonstrações diante do desejo de realizar esse sonho.
Bem, voltando um pouco mais, ao mês de setembro, fiquei frustrado quando não consegui comprar ingresso para o Festival Planeta Terra, realizado em novembro. Pois uma das minhas bandas favoritas, o Smashing Pumpkins, tocaria no evento e o último lote acabou exatamente quando consegui o dinheiro. Até bicos fora da área eu fiz para juntar essa grana. Há três semanas, já quase esquecendo o show, soube que a @acruzeirodosul faria uma promoção via Twitter sorteando um par de ingressos. Vi ali minha última oportunidade.
Desta vez, o sortudo levaria o prêmio fazendo uma foto que explicasse o quanto a música pode ser radical. Torrei uns neurônios pensando em algo criativo, não adiantou muito, mas fiz minha foto e corri novamente à Lan House para participar. Ganhei a promoção, vi vários showzassos como Pavement, Phoenix, Passion Pit, além dos Pumpkins, é claro. Olha... Os shows foram além das expectativas. Curti muito!
Para fechar novembro com chave de ouro, no último dia, a @Kiss_FM, também realizou promoção de ingressos para o show extra do Rammstein. Como não custava nada, era apenas dar RTs nos tweets, tentei a sorte mais uma vez. E não é que fui novamente sorteado? Sim, meus caros. Presenciei um baita show de rock na última quarta-feira que fez o Via Funchal pegar fogo, literalmente.
Pois é, meus amigos. Para quem já estava conformado com um ano fraco, vivendo apenas frilas e sonhando com emprego fixo, novembro foi bom. Ganhar um curso básico de locução, ingressos para dois mega shows em um mês e ainda quem sabe conseguir a maior de todas as conquistas, uma vaga no Curso Abril de Jornalismo, me animou! Também conheci pessoas interessantes e fiz novas amizades. É claro que isso não apaga os primeiros dez meses, mas alimenta minha perspectiva para um 2011 melhor.
Minha intenção não era fazer um texto de autoajuda, muito menos me gabar das premiações. Talvez muitos de vocês acharão isso uma grande bobagem e que eu fico feliz por pouco. Pode até ser, mas por trás disso tive um aprendizado importante. Aprendi que não há zica, momento ruim ou má fase que dure para sempre. As dificuldades aparecem e nem sempre o que planejamos funciona. Pode levar nosso tempo, nossa calma e provavelmente levará nosso dinheiro. Mas assim como tudo em nossa vida, ela passa. Aliás, até a uva passa.
Por: Douglas Terenciano
A cada dia aumenta minha sensação de que o Brasil está sendo invadido. Não por exércitos, guerrilheiros, militares ou terroristas. Mas sim pela língua estrangeira e seus vícios de linguagem. Diariamente e sem perceber, incorporamos palavras e mais palavras de origem estrangeira, principalmente da língua inglesa, em nosso cotidiano.
O que mais chama minha atenção são as expressões incluídas na rotina de algumas profissões. Quem nunca ouviu um publicitário dizer que vai fazer um job ou que precisa terminar um briefing? Ou ainda que acordou, teve um brainstorm e aguarda o feedback do cliente? Ainda na comunicação temos os jornalistas preparando seu lead para o texto em off que vai ao ar antes do break. Ah, o deadline da news será até sexta ok? É impressionante o número de palavras absorvidas e completamente afixadas no dia a dia.
Na área de Recursos Humanos os profissionais são praticamente obrigados a carregarem um dicionário de Inglês-Português no bolso. E isso porque hoje é preciso ter um bom networking porque os headhunters estão procurando profissionais para a vaga de Trainee de CEO. Aos candidatos que não possuem curso de Master in Business Administration é recomendado fazê-lo. Caso contrário, a chance de entrarem para lista de Downsizing é grande, obrigando-os a buscarem um Outplacement.
A informática, grande campeã na invasão linguística, tem os criadores de softwares que sempre fazem backup dos arquivos no desktop para não serem pegos de surpresa por algum hacker ou bug. Pasmem, na última segunda-feira precisei ir a Lan House para mandar um e-mail importante. Devido à falta de PC livre, fiquei ouvindo o programa Backstage na Rádio Kiss FM durante cerca de trinta minutos. Além do tempo de espera, fui corrigido pela atendente quando reclamei que meu ratinho estava quebrado. “É mouse, senhor”, disse a moça. Parece brincadeira... Mas não é.
Alguns países conseguem ou pelo menos tentam resistir aos males da globalização. Conversando com Léo Kioshi, um amigo decasségui, descendente de japoneses que foi tentar a sorte na terra do sol nascente, descobri o quanto a população local valoriza seu idioma. Por lá, até os jogos eletrônicos lançados nos Estados Unidos ou na Europa são traduzidos para os famosos ideogramas, o Kanji, por empresas terceirizadas que firmam parcerias com as gigantes produtoras de jogos. Segundo ele, os jogos apenas em inglês empacam nas vendas.
Aliás, umas das principais dificuldades quando foi se aventurar no país era exatamente a comunicação. Kioshi conta que é muito difícil encontrar um japonês que fale inglês. A maioria simplesmente ignora o idioma do Tio Sam. Parece bobagem toda essa preocupação para traduzir simples jogos de videogames, mas são em pequenas coisas que percebemos as atitudes para preservar a tradição, a língua e a cultura de um país.
Particularmente não gosto dessa mistura. Sou um pouco nacionalista e fico um tanto incomodado quando preciso ligar para o delivery para pedir uma pizza ou solicitar o trabalho de um office-boy ou até mesmo comprar um simples hot-dog. Poxa, meus amigos. Porque não buscar a tradução ou pelos menos tentar encontrar termos equivalentes para o português? Nosso idioma é riquíssimo, certamente encontraríamos sem dificuldades. Agora, convenhamos, se essa enxurrada de palavras estrangeiras for sinal de globalização, de avanço bilíngue como dizem alguns especialistas, eu acho que o preço desse avanço é muito alto.
Quem sou eu
- Douglas Terenciano
- Graduado em Jornalismo pela Universidade Cruzeiro do Sul. Experiência como repórter, assessor de imprensa e fotógrafo. Admirador de cinema, tecnologia, cultura, jogos, futebol e rock.
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